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terça-feira, 4 de outubro de 2016

Do Sublime ao Trágico - Friedrich Schiller (Livro)



Friedrich Schiller – Do Sublime ao Trágico

Um dos destaques da 26ª edição da revista Cenário, lançamento da Autêntica joga luz sobre o pensamento teórico e estético de um dos maiores nomes do Romantismo alemão.
Por César Alves

Em meados do século dezoito, a beleza mostrou-se insuficiente para descrever o que faz da criação artística uma obra de arte. Mais do que os valores impressos na proporção e conveniência que convergem em delicadeza, pureza, clareza de cor, graça e elegância, a experiência estética também exigia o desafio aos sentidos, “(...) aquilo que produz a mais forte emoção que o espírito é capaz de sentir”, como descreve Edmund Burke em sua Pesquisa filosófica sobre a origem de nossas idéias do Sublime e do Belo, publicado em 1759. Assim, em reação ao Belo artístico, o conceito de Sublime ganha a atenção dos estudiosos e apreciadores das belas artes.
O Sublime, na definição de Burke, caracterizava-se por provocar em quem aprecia um quadro ou uma obra literária emoções antagônicas de admiração e terror. Tal conceito não era exatamente uma novidade, tendo em vista que já havia sido proposta, séculos antes, por Pseudo-Longino, autor de um tratado sobre o Sublime, escrito na era Alexandrina, que circulava entre intelectuais setecentistas. O autor britânico também não foi o único pensador da época a se debruçar sobre o tema e é na Crítica da faculdade de juízo (1790), de Emmanuel Kant, que as diferenças entre o Belo e Sublime são definidas com precisão.
Vem da leitura de Kant o interesse de Friedrich Schiller pelas manifestações do Sublime na arte, objeto de alguns de seus mais importantes escritos teóricos, publicados nas revistas Neue Thalia e Die Horen – em parceria com Goethe – e depois revistos nas suas obras completas. O artigo Do Sublime ao Trágico, publicado recentemente no Brasil pela editora Autêntica, está catalogado entre suas diversas e importantes contribuições para as pesquisas e estudos sobre estética.
Para o autor, assim como o é para Kant, a experiência Sublime remete à natureza e nossos instintos naturais. Ao contrário do Belo, cuja atração está ligada a um sentimento nato que nos leva ao deleite frente ao que parece agradável e organizado aos nossos olhos, o Sublime instiga nossa natureza física e racional. Diante do objeto Sublime, como seres físicos, dotados de corpos frágeis que podem ser feridos por uma avalanche ou tempestade, despertamos para nossa inferioridade frente à magnitude do mundo natural; e, como criaturas racionais, capazes de sobrepujar e alterar a natureza, experimentamos de uma liberdade que vai além dos limites.
Schiller também chama a atenção para a característica diversa do Sublime em suas representações artísticas. É possível experimentar o Sublime de forma passiva, como quando observamos o Viajante diante do mar de nuvens (1818), de Caspar David Friedrich; ou de forma direta, tomado pelas águas ameaçadoras que levam ao naufrágio a embarcação da cena pintada por William Turner em O Navio Negreiro (1840), exemplos deste que vos escreve.
Segundo ele, o distanciamento proporcionado pela reprodução em um quadro é o que faz da experiência Sublime nas artes superior a Natureza. Como no caso do segundo exemplo, quem aprecia a cena de Turner, uma vez distante do evento trágico, pode provar do horror do episódio e racionalizá-lo, o que seria impossível fazê-lo estivesse ele no lugar das vítimas ali representadas.
Ao contrário do Belo, a experiência do Sublime não seduz e sim provoca. Apela para nossos instintos de sobrevivência e autopreservação e, ao mesmo tempo, para nossa razão, o que torna o gosto pelo Sublime uma característica dos espíritos mais elevados.

Serviço:
Do Sublime ao Trágico
Autor: Friedrich Schiller
Tradução: Pedro Sussekind e Vladimir Vieira
Editora: Autêntica
128 páginas

(O artigo faz parte da edição de número 26 da revista Cenário, atualmente em circulação)

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Exposição - Abridores de Letras de Pernambuco



A arte dos Abridores de Letras de Pernambuco chega a São Paulo em livro e exposição

Mestres do designe tipográfico popular, os artistas da comunicação visual do nordeste brasileiro foram tema de estudo e ganha mostra no Sesc-Campo Limpo.
Por César Alves

Sendo que Deus escreve certo por linhas tortas, talvez fosse o criador também um Abridor de Letras, diria um dos personagens de Ariano Suassuna.
Donos de uma criatividade ímpar e mestres da comunicação visual instantânea no comércio popular das feiras e mercadinhos, estes designers tipográficos autodidatas se tornaram objeto de pesquisa de Fátima Finizola, Solange Coutinho e Damião Santana.
Profissionais das artes gráficas e do designe, os três foram seduzidos pela imensa versatilidade e variedade de estilos e tipos produzidos pelos abridores e empreenderam uma verdadeira jornada em busca da essência da letra pernambucana. O que encontraram foi um universo de tipos, cores e técnicas que fazem os contornos dos caracteres abertos por estes letristas populares uma arte original e incomparável.
Do fluxo veloz e ininterrupto dos pincéis dos artistas que anunciam “Amola-se”, “Conserta-se”, “Costura-se” e etc, nasceu a obra Abridores de Letras, publicada pela editora Blucher em 2013 e que agora dá origem à exposição em cartaz na unidade Sesc do Campo Limpo.
A mostra, Abridores de Letras de Pernambuco, apresenta letreiros de estabelecimentos comerciais feitos pelos “abridores de letras” remanescentes em Pernambuco. O acervo de 40 placas originais e fotografias foi composto a partir de uma pesquisa realizada pelos três designers, que realizaram expedições a 6 cidades do litoral e interior do estado, registrando o trabalho de 12 pintores letristas.

Serviço:
Livro: Abridores de Letras
Autores: Fátima Finizola, Solange Coutinho e Damião Santana
Editora: Blucher
140 páginas

Exposição: Abridores de Letras de Pernambuco
Local: Sesc-Campo Limpo
Endereço: Rua Nossa Senhora do Bom Conselho, 120
Telefone: (11) 5510-2700